Estará a União Europeia preparada para uma nova crise?

João Soares da Silva

Investigador no CEPS
"O significado equívoco da palavra 'crise' em mandarim foi continuamente repetido nos últimos dois anos. Surgiu a oportunidade de mudar"

Publicado a 22 Fevereiro 2011 em Economia e Finanças

Resumo

O significado equívoco da palavra “crise” em mandarim foi continuamente repetido nos últimos dois anos, desde que o mundo em geral, e a UE e os EUA em particular, enfrentaram a maior crise financeira de que há memória desde 1930. No caso da UE, juntamente com este complexo desafio, surgiu a oportunidade de mudar. Entre as várias reformas que foram feitas ao sistema financeiro, uma das mais importantes foi a que disse respeito à arquitectura do sistema de supervisão financeira, já que abordou uma das questões mais prementes do relatório elaborado por Jacques Laroisière e pela sua equipa, a pedido do Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. A questão que este artigo formula é a de saber se a União Europeia se encontra mais bem preparada para uma nova crise financeira depois da implementação das novas reformas. Em resposta, defende-se que, apesar da natureza mais leve das mesmas, o novo quadro de supervisão financeira criou uma estrutura que permitirá à União e aos Estados Membros lidar com uma crise emergente, tanto a nível macro-prudencial, como a nível micro-prudencial. A criação do Conselho Europeu para a supervisão do Risco Sistémico, entidade na qual o Banco Central Europeu desempenhará um papel importante, bem como a transformação dos anteriores Comités de nível 3 em Autoridades com poderes vinculantes parecem indicar uma melhoria da situação. Todavia, a falta de dados empíricos relativamente ao desempenho destas entidades, bem como pressões políticas e o papel das entidades nacionais de supervisão poderão ainda contribuir para afastar a União da possibilidade de abordar diferentes problemas numa futura oportunidade, o que, neste caso, também quererá dizer “numa futura crise”.

 

A versão integral deste estudo está disponível apenas em inglês.

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