Existe liberdade para a musicalidade?

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Matilde Pais

Investigadora
"'A individualidade é um produto da aptidão reforçada pelo apetite'"

Publicado a 16 Dezembro 2013 em Educação e Cultura

Resumo

O debate sobre se a música é uma faculdade inata ou adquirida não é novo. Mas isto não significa que seja uma discussão terminada. Pelo contrário, ainda levanta novas questões e interesses na investigação da psicologia da música e de outras áreas da ciência e da ética. Por exemplo, se considerarmos o princípio do individualismo - o indivíduo como a unidade elementar da análise social – e a dignidade e liberdade de cada indivíduo é inevitável referir não só que existem faculdades inatas mas também que somos capazes de aprender e adquirir conhecimento ao longo da vida. Assim, ao identificar e respeitar as diferenças individuais entre os seres humanos (ex. talento, competências, interesses e esforço) e as suas liberdades individuais, os benefícios podem ser não só pessoais mas também sociais.

Relativamente ao desenvolvimento musical, a maioria dos investigadores concordam que não há uma explicação única mas há uma interacção de factores complexos, genéticos e relativamente ao meio. O tema central da discussão deslocou-se do tipo de factor – inato ou adquirido – que é responsável pelas diferenças individuais para as interacções que ocorrem entre os dois (Coon e Care, 1989). Esta interacção não é óbvia para investigação da musicalidade por esta envolver várias características e interacções, nomeadamente físicas, fisiológicas, cognitivas e de temperamento (Hodges, 2006). Contudo, a capacidade musical pode ser estudada de uma forma rigorosa apesar da dificuldade que ainda existe em definir a música.

Uma das questões mais interessantes e desafiantes no campo da psicologia é como é que as variações hereditárias e ambientais ocorrem (Anastasi, 1958). Neste trabalho estamos especialmente interessados na análise crítica desta perspectiva e nos seus desenvolvimentos recentes, em vez de nos concentrarmos na oposição anacrónica entre os conceitos de inato e adquirido. Recentemente, a investigação e tecnologia renovaram e consolidaram a relevância científica do tema, justificando o seu estudo. Se consideramos o desenvolvimento musical como um processo que se dá ao longo da vida e a sua real importância, o impacto é ainda maior e mais relevante.

Nos primeiros dois capítulos, os dois extremos da dicotomia inato/adquirido e os seus anacronismos serão apresentados à luz do conhecimento actual. Depois de uma introdução sobre a teoria do desenvolvimento musical, o impacto de ambos os factores hereditários e relativos ao ambiente serão analisados (capítulo 4 e 5). Por último, serão apresentadas as conclusões e novas áreas de pesquisa.

 

A versão integral deste estudo está disponível apenas em inglês.

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