Portugal e o lado da oferta

thumb-membro

Luís Faria

Investigador e Presidente do Contraditório
"Esta medida implica coragem política para ir mais além na redução da despesa"

Publicado a 6 Julho 2011 em Economia e Finanças

Primeiro, vamos voltar aos livros: Se Portugal quer aumentar a taxa de crescimento de longo prazo deve aumentar a poupança e o investimento, definir a educação como uma prioridade, assim como a investigação científica e o desenvolvimento tecnológico. Sim, mas tudo isto demora muito tempo. Será que ainda podemos esperar? Não e quando mais tarde começarmos a semear mais tarde colheremos os frutos, por isso não temos alternativa se não começar a fazê-lo já. Não podemos esperar mais uma década para crescer.

Proposta: Portugal devia fazer reformas no sentido de se tornar o país do mundo mais atractivo para investir.

O governo devia concentrar-se em fazer cortes na despesa, baixar impostos, simplificar as leis, alargar a base fiscal e reduzir o défice enquanto absorve os impactes do défice de uma política pró-crescimento.

Como? De acordo com Mankiw & Weinzierl (2006) a resposta dinâmica da economia a alterações nos impostos é substancial. Os autores concluíram que o corte nos impostos na economia norte-americana são parcialmente auto-financiados. Parcialmente. No longo-prazo, cerca de 17% de um corte em impostos sobre o trabalho é recuperado através do aumento do crescimento económico. O valor comparativo para um corte em impostos sobre o capital é de cerca de 50%.

Mas os cortes nos impostos pagam-se a si próprios? Não e actualmente os portugueses percebem pelas piores razões que no final o governo tem que pagar as suas contas, o que significa que os cortes nos impostos devem ser compensados com outros ajustamentos. 

Em momentos difíceis, e quando se pedem soluções criativas, podemos encontrar algumas conclusões interessantes no relatório do ministério das finanças dos Estados Unidos:

1 – Impostos mais baixos conduzem a uma economia mais próspera; no entanto,

2 – Nem todos os impostos têm o mesmo impacte sobre o crescimento económico; e, 

3 – A forma como a carga fiscal é reduzida é fundamental para o seu impacte económico.

Conclusão: alguns cortes de impostos são particularmente positivos para o crescimento, mas apenas se forem financiados pela contenção na despesa.

Portugal devia adoptar a política fiscal como instrumento para estimular o investimento e a competitividade e como base para promover o país enquanto destino de investimentos. Esta medida implica coragem política para ir mais além na redução da despesa e tenacidade para resistir às esperadas pressões de Bruxelas.

Participe na discussão

O Contraditório confere a todos os utilizadores o direito de acederem, rectificarem e eliminarem os respectivos dados pessoais. Os dados recolhidos destinam-se apenas à identificação do autor da mensagem.


Código de validação

Comentários (2)

  • Luís Faria 30 Outubro 2011, 12:34 GMT

    @ Ricardo Magalhães

    Obrigado pelo comentário ao conteúdo do artigo.

    Relativamente à divulgação deste e outros artigos do Contraditório, as publicações do Contraditório já foram divulgadas por empresas de renome (Bureau Van Dijk, Reino Unido) ou pela imprensa de referência nos EUA (CNBC), no Reino Unido (Monocle), na Áustria (WirtschaftsBlatt) e na Ucrânia (Korrespondent). Todos estes links podem ser encontrados na homepage do Contraditório.

    A divulgação e o reconhecimento internacionais devem-se ao trabalho desenvolvido pelo Contraditório e, sobretudo, à qualidade das suas publicações.

    Naturalmente todas as nossas opiniões podiam ter mais divulgação, mas essa responsabilidade deve ser também repartida por todos aqueles que partilham da sua opinião e que consideram o Contraditório think tank um projecto que merece ser divulgado. O Contraditório think tank tenta cumprir diariamente com a sua parte.

  • Ricardo Magalhães 30 Outubro 2011, 10:41 GMT
    Obviamente dever-se-ia ter um Estado mais pequeno e menos oneroso sobre o sector produtivo.
    Pena é que opiniões como estas não sejam mais divulgadas, quer pelos seus autores, quer pela comunicação social!