Princípios de mercado resolvem problemas sociais

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Luís Faria

Investigador e Presidente do Contraditório
"Encorajar comportamentos que ajudem a quebrar o enraizado ciclo de pobreza"

Publicado a 28 Fevereiro 2010 em Economia e Finanças

Nova Iorque pôs em prática um controverso modelo de incentivos. As pessoas recebem “transferências monetárias condicionadas” em troca da realização de determinadas tarefas que as podem ajudar a sair de uma situação de pobreza. Estas transferências são recebidas, por exemplo, se as crianças vão à escola e têm bons resultados; se os pais trabalham pelo menos 30 horas por semana, se fazem cursos de formação ou levam a sua família ao médico.

O modelo original foi aplicado por um economista mexicano, Santiago Levy. Levy sabia que os elevados subsídios que mantêm a rede social alimentariam os mexicanos por um dia, mas nunca os afastariam da pobreza no longo prazo.

Há mais de 10 anos, Levy propôs acabar com esses subsídios e, em alternativa, criou um programa através do qual as pessoas mais pobres recebiam dinheiro em troca, por exemplo, da participação escolar e de idas ao médico. Ou seja, propunha pagamentos que encorajassem as pessoas a investirem no seu bem-estar e no futuro da sua família.

Levy foi acusado de estar a acabar com a rede social de apoio conquistada na revolução mexicana de 1917. Em Nova Iorque, Michael Bloomberg, o presidente da câmara, disse que o programa consistia numa experiência que aplicava princípios de mercado a problemas sociais. O objectivo é o mesmo em qualquer parte do mundo: encorajar comportamentos que ajudem a quebrar o enraizado ciclo de pobreza.

Levy afirmou que o programa “devia ser explicado como um investimento actual na sociedade. Os estudantes serão mais produtivos e a sociedade receberá a sua produtividade em troca. A ideia central – a de que as pessoas respondem a incentivos – é suportada por muitas páginas de literatura científica”.

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